Pálido Ponto Azul

    No conceito do ser humano as fronteiras existem. Se analisarmos o mundo de perto, as balizas estão lá, aquelas linhas delimitadas num mapa desenhado ou num mapa mental, construído pelo Homem. As diferenças estão lá, sociais, de religião, de género, de país, cidade, freguesia ou bairro, de casa, quarto, computador, telemóvel…

    Diferenças que orgulhosamente se invocam entre se ser animal racional ou irracional. Se nos afastarmos até ao local onde as estrelas viajam, onde o ar é puro, onde o ser humano não pode viver, se virmos a Terra através do olhar do universo, as fronteiras desaparecem, as linhas esfumam-se e as diferenças evaporam-se. O mundo visto de cima é uma pequena bola onde todos coexistimos, a terra, o mar, o ar, os animais, o (Ser) Humano.

    Poluição, incêndio, explosão, radiação, petróleo, óleo, químico, tóxico, resíduo, derramamento, contaminação, inalação, cegueira, defeito congénito, anomalia genética, devastação, desastre,  falência, morte, extinção. Se observarmos atentamente, estas são algumas das palavras que ganham força negativa quando pensamos na pegada do ser humano ao longo dos últimos 80 anos.
    Palavras que existem desta forma e com esta robustez porque nós existimos.

    Palavras que são atos, incoerentemente pertencentes ao animal racional que é o Ser Humano.